ciclone.
Brasil · história

Furacão Catarina (2004)

Em março de 2004, um ciclone com olho bem definido chegou ao litoral sul de Santa Catarina. Foi o primeiro furacão registrado no Atlântico Sul, e até hoje o único a atingir a costa do Brasil.

Atualizado em 21/10/2026Leitura: 6 min

Resumo

Chegada à costa
27–28 mar 2004
Vento sustentado
~155 km/h
Rajadas estimadas
até ~190 km/h
Pressão central
~972 hPa
Categoria equivalente
2

Formação

O sistema começou por volta de 24 de março de 2004 como um ciclone extratropical comum no Atlântico Sul, ao largo do Sul do Brasil. Em vez de seguir para o oceano, como quase todos fazem, ele ficou praticamente parado por alguns dias, bloqueado pela circulação atmosférica, sobre águas relativamente mornas e em um ambiente de pouco cisalhamento do vento.

Nessas condições, o ciclone foi trocando de natureza: passou por uma fase subtropical e, entre os dias 25 e 26 de março, ganhou características tropicais, com tempestades organizadas em torno do centro e um olho nítido nas imagens de satélite. Seguiu então para oeste, em direção à costa, algo muito incomum no Atlântico Sul.

Chegada à costa

O centro do Catarina tocou o continente na noite de 27 para 28 de março, entre Passo de Torres e Balneário Gaivota, no extremo sul de Santa Catarina, perto da divisa com o Rio Grande do Sul. Os ventos sustentados foram estimados em cerca de 155–160 km/h, equivalentes a um furacão de categoria 2, com rajadas próximas de 180–195 km/h. Depois de entrar em terra, o sistema enfraqueceu rapidamente e se dissipou no dia 28.

Danos

Os municípios do sul catarinense e do litoral norte gaúcho foram os mais atingidos. As estimativas variam entre as fontes, mas dão a dimensão do evento:

  • Pelo menos 3 mortes; algumas fontes citam até 11.
  • Cerca de 1.500 casas destruídas e dezenas de milhares danificadas, a maioria por destelhamento.
  • Prejuízo estimado em cerca de US$ 350 milhões, incluindo perdas importantes na agricultura da região.

Furacão ou não? A polêmica

O Catarina gerou um debate que durou anos. Na época, meteorologistas do governo brasileiro classificaram o sistema como um ciclone extratropical, já que nunca havia sido registrado um furacão no Atlântico Sul. O centro de furacões dos EUA (NHC), por outro lado, tratou o sistema como furacão desde o início, com base nas imagens de satélite que mostravam um olho bem definido.

Com o tempo, estudos posteriores levaram ao consenso de que o Catarina se tornou de fato um furacão na fase final, antes de chegar à costa. Anos depois, em 2011, o Brasil passou a usar uma lista oficial de nomes para ciclones tropicais e subtropicais. Veja como funciona.

De onde veio o nome

O nome "Catarina" não é oficial: nenhum órgão meteorológico batizou o sistema. Ele surgiu da manchete de um jornal, "Furacão Catarina", em referência ao estado de Santa Catarina, e acabou adotado pela imprensa e pela comunidade científica. Nos registros do NHC, o sistema aparece apenas com um código, sem nome.

Pode acontecer de novo?

Pode, mas continua sendo raro. Desde 2004, o Atlântico Sul teve algumas tempestades tropicais, como Iba (2019) e Akará (2024), mas nenhuma chegou a furacão. Com o oceano mais quente, pesquisadores investigam se as condições para sistemas como o Catarina podem ficar um pouco mais frequentes. Enquanto isso, os ciclones que realmente afetam o Brasil todos os anos continuam sendo os extratropicais.