O que é um ciclone bomba
"Ciclone bomba" não é um tipo diferente de ciclone. É um ciclone, quase sempre extratropical, que passou por bombogênese: uma intensificação tão rápida que a pressão no centro cai pelo menos 24 hPa em 24 horas.
Como o vento depende da diferença de pressão entre o centro e a periferia, uma queda tão rápida faz o vento acelerar muito em pouco tempo. Por isso os ciclones bomba costumam ser os mais perigosos entre os extratropicais.
O critério, em detalhe
O termo foi popularizado em 1980 pelos meteorologistas Frederick Sanders e John Gyakum, do MIT. O limiar de 24 hPa em 24 horas vale para a latitude de 60°. Mais perto do Equador, o efeito Coriolis é mais fraco e uma queda menor já representa uma intensificação equivalente. Por isso o critério é ajustado pela latitude, proporcional ao seno da latitude:
| Latitude | Queda mínima em 24 h | Referência |
|---|---|---|
| 25° | ~12 hPa | Litoral de SP e PR |
| 30° | ~14 hPa | Porto Alegre / litoral do RS |
| 35° | ~16 hPa | Uruguai |
| 40° | ~18 hPa | Norte da Patagônia |
| 60° | 24 hPa | Critério original |
Muitas reportagens usam só o número "24 hPa". Por isso é comum ver discussões sobre se um ciclone perto do Brasil "foi ou não foi bomba".
Por que acontece
A bombogênese precisa de uma combinação de fatores:
- Contraste forte de temperatura entre o ar frio continental ou polar e o ar quente sobre o oceano.
- Uma corrente de jato intensa em altitude, que "aspira" o ar do centro do ciclone e acelera a queda de pressão.
- Mar quente e úmido: no Sul do Brasil, a Corrente do Brasil fornece calor e umidade que alimentam o sistema.
Esses ingredientes são mais comuns no outono e no inverno, por isso é nessa época que os ciclones bomba mais aparecem na costa do Sul.
Ciclone bomba no Brasil
Vários ciclones bomba se formam todos os anos no Atlântico Sul, mas a maioria se aprofunda longe da costa e só causa mar agitado. O perigo aparece quando a bombogênese acontece perto do continente.
O ciclone bomba de 30 de junho e 1º de julho de 2020
É o caso mais marcante dos últimos anos. O sistema se aprofundou rapidamente junto ao litoral e atingiu com força Santa Catarina, o Rio Grande do Sul e o Paraná:
- Rajada de 168 km/h em Siderópolis (SC), recorde no estado segundo a Epagri/Ciram, e rajadas acima de 120 km/h em vários pontos dos três estados do Sul.
- 12 mortes: 10 em Santa Catarina, uma no Rio Grande do Sul e uma no Paraná.
- Quase 1,9 milhão de consumidores sem energia nos três estados.
Parte dos estragos do dia 30 veio de uma linha de instabilidade que antecedeu o ciclone, o que mostra como esses eventos combinam vários fenômenos. Veja outros casos no histórico.
O que fazer quando há previsão de ciclone bomba
A intensificação rápida deixa pouco tempo de reação. Quando a Defesa Civil ou o INMET alertarem para ventos fortes:
- Recolha ou amarre objetos soltos em quintais, varandas e telhados.
- Evite ficar perto de árvores, postes, placas e muros durante o vento forte.
- Fique longe da orla e de costões, que ficam perigosos na ressaca.
- Carregue celulares e power banks e tenha lanterna à mão para quedas de energia.